• Sâmia Simurro

A Importância da Espiritualidade na Sociedade Contemporânea

AUTORA: Rachel Skarbnik e Sâmia Simurro 


A Importância da Espiritualidade na Sociedade Contemporânea

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A idéia de buscar explicações sobre fenômenos e a tentativa de compreensão total de eventos e fatos, desde os mais simples aos mais complexos, é algo que se, ao mesmo tempo em que diferencia o ser humano de outras espécies, traz também uma conseqüência que, até certo ponto, é previsível: a angústia de existir.


A natural necessidade do ser humano de estabelecer relações de causa e efeito, compreender o mundo, sobreviver à angústia, só poderia ser moderada através da disseminação de conceitos éticos, que se sobrepusessem a estas tensões, e que ecoassem o que o senso comum não dava conta. É nesse momento que os conceitos sobre espiritualidade começam a ganhar importância, e a controlar em grande escala, todas as sociedades no decorrer do tempo. Pode-se afirmar que todos os agrupamentos humanos tiveram suas religiões comuns, através das quais se justifica sua estrutura, inclusive de poder e estratificação social. Se por um lado, os conceitos espirituais diminuem as tensões num dado agrupamento social, o choque decorrente do contato com outra religião pode causar, e causa, freqüentemente, conflitos.


Escrever sobre espiritualidade, religião, ou sobre o sagrado é uma tarefa difícil, pelas várias facetas que o tema possui, pelo fascínio que desperta e, muitas vezes, pela inquietação que provoca, uma vez que nenhum ser humano passa incólume pela experiência religiosa. Vivenciada nas mais diversas formas, inspiram medo, admiração, entusiasmo, opressão, terror, conforto ou paz. Pode-se dizer que sua influência despertou no homem o que há de melhor e também o que há de pior. Envolvidos pela dimensão religiosa, e vivendo em uma sociedade norteada pela ciência e pelo pensamento lógico, freqüentemente o ser humano encontra-se em uma dicotomia entre o material e o espiritual, o que provoca as mais diferentes reações, desde o ateísmo e o agnosticismo, até a religiosidade extrema e o fanatismo irracional.


O fato é que a espiritualidade humana pode nos indicar um caminho, rumo ou uma posição a partir da qual, pode-se melhor compreender a nossa sociedade, suas múltiplas facetas e o âmago de suas dificuldades. Embora a percepção do sagrado nem sempre seja prioridade na sociedade contemporânea, em nossa prática clínica, freqüentemente nos defrontamos com inquietações sobre o tema. A relação estabelecida entre saúde, espiritualidade, fé ou religião, se dá a partir do próprio conceito da saúde preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): “... bem estar bio-psico-social...”, onde espiritualidade é parte integrante da formação do homem e por isso, não pode ser desprezado numa análise ampla da concepção do mesmo. Analisando esta definição de forma reflexiva, concluímos que saúde passa a se relacionar a tudo o que diz respeito ao ser humano, em todas as suas dimensões. Seria um estado de equilíbrio, que ultrapassa os limites dos fatores puramente físicos, para atingir áreas de vida afetiva, emocional e espiritual.


A evolução do universo que não é linear e simples, mas complexa e dinâmica, vem apontando na direção de diversidades e mais complexidades, atingindo diretamente o homem nesta tendência.  O ser humano interagindo com o seu meio, introduz mudanças. As mudanças inseridas produzem novas mudanças no homem e assim por diante. Hoje, a velocidade das alterações e inovações é grande o bastante para torna - las assustadoras, muitas vezes incompreendidas, envolvendo dificuldades de adaptação. 


Essa revolução interfere em todos os aspectos da vida do homem, seu trabalho, suas relações sociais, seus esquemas mentais, emocionais e espirituais. É com este instrumental que o homem formula a interpretação de sua vida e seu papel no universo. É com ele também que o homem conta para o seu processo de adaptação, hoje altamente requisitado.


Segundo Leonardo Boff tais mudanças incidem sobre quatro eixos básicos, transculturais, presentes em todos os processos bio – sócio – culturais. O primeiro eixo é o da adaptação e interação. Boff se refere ao ser humano como dinâmico, flexível, interativo e totalmente adaptativo. O homem interage com a natureza e é o único ser inteligente, capaz dessa interação de coexistência e colaboração.  O autor coloca que o eixo: “diz respeito à relação dinâmica do ser humano para com o meio ambiente em vista de sua subsistência”. O segundo é o eixo da associação e colaboração. Este eixo refere à sociedade tendo em vista a convivência entre os seres humanos. “Os seres humanos não vivem, interexistem. Con – vivem”. Estas afirmações vêem acompanhadas de que além de associar-se a outros seres humanos na formação dos mais diversos tipos de agrupamentos sociais, o fazem, no sentido, de proteção e sobrevivência, dividindo responsabilidades e introduzindo a distribuição do trabalho.  O terceiro eixo é o da simbolização e significação. Neste eixo verifica-se o fato de que os seres humanos procuram dar sentido aos seus atos e a toda sua história. “Eles não só falam, pensam e organizam, mas também avaliam, ajuízam e criam valores. Interpretam a vida e a morte, elaboram sonhos, formulam projetos, e colocam indagações íntimas que ganham expressão intelectual nas filosofias, expressões simbólicas nas religiões e nas tradições  espirituais e expressão  formal nas ciências”. O quarto eixo é o da espiritualização e re-ligação. Boff diz que o espírito é  aquela capacidade pessoal e coletiva,  do ser humano, de sentir-se parte e parcela de um todo, da capacidade de ver a “essência” que há em todo o universo, que dá sentido e que encontra eco  em cada  ser. É essa energia espiritual  que dá colorido,  sentido e significado a todas as dimensões da  vida do  ser humano. Por isso, diz Boff, “o espírito deve ser considerado uma poderosa força estruturadora das pessoas, da história e de seu destino”.     


É surpreendente constatar o nível de influência que a religiosidade tem na administração do stress e, portanto, na saúde. A mente e o corpo estão intrinsecamente ligados, com intensa influência no que diz respeito ao seu bem estar. Não se podem negar as observações da prática clínica, onde tanto a fé, crenças, atitudes, estados emocionais e valores contribuem para a permanência do equilíbrio, como também, a falta destes aspectos pode influenciar negativamente sua saúde.


É comum escutarmos falar em saúde profissional, intelectual, social, física, emocional e espiritual. Porém, essa divisão se dá somente, para efeito didático. Na prática, o homem saudável precisa que todas as dimensões do “SER” estejam harmoniosamente equilibradas.

Ao se estudar mais especificamente a religião, depara-se com a dificuldade desta não ser homogênea, pois há uma diversidade no comportamento e na forma de ser religioso. Seguindo o pensamento de Spilka (1989), onde religião funcional é aquela que satisfaz as necessidades do indivíduo quanto à busca de significado, sensação de controle e incremento da auto-estima, assim, pode-se inferir que, ao se afirmar possuir uma prática religiosa satisfatória, estamos praticando uma religiosidade funcional. O fato é que, a pesquisa e a prática têm demonstrado que, a percepção positiva de alguma religiosidade, leva as pessoas a se manterem em melhores níveis de saúde e estresse. Teriam eles um melhor controle, ou estariam mais preparados? Teria a prática religiosa uma função semelhante as das vacinas nas quais os vírus, inoculados de uma determinada forma protegeriam, ou melhor, proporcionariam ao indivíduo maior resistência por ter desenvolvido imunidade deixando-os com mais recursos internos para lidar com as adversidades da vida, ou seja, com o estresse?      


Religião é, provavelmente, a mais antiga e duradoura instituição, inserida tão profundamente na história da cultura humana, que se torna quase impossível separá-la desta. Varia de acordo com a época, gerações, sociedades, classes sociais e ocupações.  A controvérsia sobre se religião é benéfica ou prejudicial persiste desde o diagnóstico de psicose religiosa e das idéias propagadas por Freud sobre neurose universal.


Qualquer definição de religião é, torna-la simplista demais, pois podemos determinar que religião é um tipo de crença ou de comportamento religioso, ou então, podemos dar um significado bastante genérico, dizendo que se trata de uma crença em uma identificação com uma força ou poder maior. Existe uma dificuldade de definir essa complexa dimensão da experiência humana. Taylor (1871) propõe como definição mínima de religião “a crença em seres espirituais”. 


No entanto, sabemos da existência de uma religião toda vez que uma sociedade manifesta, entre suas expressões culturais, crenças que vão além da realidade da ordem natural. As religiões têm como característica principal o reconhecimento do sagrado e a definição de poderes supramundanos. As reações do homem frente a essas experiências, apesar de sua base profunda e em comum, não são uniformes. Tais reações estão condicionadas por vários fatores culturais e sociais.  Os diferentes aspectos objetivos e subjetivos das diversas religiões só podem ser compreendidos, como expressões de um  fenômeno  sociocultural complexo.  A experiência religiosa é única e diferente das demais do nosso dia a dia e tem como objetivo prestar tributos ou estabelecer formas de submissão a esses poderes, no que está implícita  a idéia  da existência de um ser ou vários seres superiores que criaram e controlam a vida humana e de todo o universo. Esta vivência é subjetiva e individual, podendo ser sentida completamente diferente para cada indivíduo, mesmo dentro de uma mesma crença. Tal experiência pode alterar as percepções e convicções a respeito de si mesmo, do significado de sua vida, influenciando definitivamente a formação dos valores, atitudes e comportamentos.


Assim, é crescente a busca por um sentido na vida através das diferentes religiões, da ética, moral e da ideologia. Cada vez mais surgem pesquisas e artigos, que comprovam as implicações positivas da espiritualidade na saúde, quando a relação do homem com essa sua dimensão é amigável. Já é possível se apresentar evidências científicas que comprovam que a religiosidade positiva e funcional pode ser fonte de alívio e melhorias no nível de estresse e na saúde do indivíduo.

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