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As Estratégias de Sensibilização para a Mudança de Estilo de Vida

AUTORA: Sâmia Aguiar B. Simurro 


As Estratégias de Sensibilização para a Mudança de Estilo de Vida

As Estratégias de Sensibilização para a Mudança de Estilo de Vida dos Programas de Bem-Estar e Qualidade de Vida


As estratégias de sensibilização são e continuarão sendo de fundamental importância para os programas de bem-estar e qualidade de vida no ambiente de trabalho. A maioria das atividades dos programas está baseada nessas estratégias. Na verdade o centro de todo início de um programa, são as estratégias de sensibilização.  A troca de informações faz parte de todas as formas de relações humanas e só a partir de uma boa conscientização da necessidade da mudança é que se conseguem grandes melhorias no estilo de vida e no status de saúde das pessoas.


Vale aqui definir o que são essas estratégias. As estratégias de sensibilização são uma variedade de atividades e formas de comunicação que visam, intencionalmente, informar, melhorar os níveis de conhecimento e facilitar a mudança de comportamento dos indivíduos para a melhoria da saúde individual e da produtividade.


Segundo Chapman, 2002, as estratégias de sensibilização nos programas de qualidade de vida no trabalho exercem um triplo papel:


  1. Comunicar importantes informações que ajudam a preparar o indivíduo para a mudança de comportamento.

  2. Empoderar e habilitar  o indivíduo a  formular um modelo de aplicação pessoal da informação recebida.

  3. Capacitar o indivíduo a ter o acesso prático à tecnologia ou serviços que podem ajudar ou contribuir como estímulo e reforço para o início ou manutenção da mudança de um comportamento específico de saúde.


Pode-se assim dizer que as estratégias de sensibilização são poderosas ferramentas que possibilitam aos indivíduos o contato com a informação, ajudam no empoderamento pessoal para a mudança e no acesso aos serviços e tecnologias disponíveis para facilitar o sucesso da mudança e a manutenção do comportamento saudável.


Para o sucesso dessas estratégias, é necessário cuidado com sua forma de utilização para que elas sejam percebidas como importantes e  produzam o efeito  desejado. Alguns aspectos devem ser observados quando se vai utilizar das estratégias de sensibilização. O primeiro é que se defina qual a população que  será informada e de que informação essa população precisa. Para que a comunicação tenha efeito é necessário que  se selecione informações específicas para uma população definida. Neste caso, quanto mais se conhece a população que desejo promover a melhoria da saúde e do  estilo de vida, mais chances de escolher as informações e atividades adequadas e que atendam as necessidades desse público.


Outro cuidado que se deve ter nas estratégias de sensibilização para que elas de fato ajudem os indivíduos a mudar seu estilo de vida para um estilo de vida mais saudável, é o de buscar sempre, na medida do possível enviar mensagens personalizadas  e importantes para o indivíduo. As intervenções deverão produzir o desejo de iniciar a mudança numa área específica do comportamento. A sensibilização deve ativar no indivíduo uma mudança em seu nível de preparação para melhoria de seu estilo de vida. Neste sentido, trabalhar o empoderamento e a auto-eficácia neste tipo de estratégia é fundamental.


É preciso ainda que as estratégias de sensibilização reforcem as atitudes e os comportamentos positivos existentes e que ajudem a manutenção de um estilo de vida saudável. Para aqueles indivíduos que já tenham adotado comportamentos saudáveis  é importante que essas informações encorajem os mesmos a manterem essa atitude e estilo de vida, até que essa mudança seja incorporada em suas crenças pessoais e habilite a pessoa para aumentar a sua longevidade e a qualidade de sua vida. Para que isso aconteça, é preciso que a sensibilização dos programas de bem-estar e qualidade de vida contribua para a quebra da resistência e da ambivalência existente em toda mudança e com o aumento da motivação. Muitas vezes isso acontece quando se aproveita situações especiais na vida  do indivíduo como as promessas do ano novo, uma preparação para participar em um jogo, ou corrida com amigos e até mesmo um evento de doença como um ataque  cardíaco que pode estimular a pessoa a parar de fumar, reduzir o stress, ter uma alimentação saudável ou praticar atividade física.


Um bom programa de bem-estar e qualidade de vida utiliza essas estratégias de sensibilização de forma balanceada e informa de forma eficaz junto com o marketing da empresa sobre quais são as atividades, suporte e  recursos que o profissional pode ter acesso, oferecendo uma comunicação contínua e consistente.


A teoria social cognitiva é uma das bases teóricas que estão relacionadas com as estratégias de sensibilização. Este modelo aponta para a capacidade que o indivíduo tem de dar significado ao comportamento, aprender pela observação de outros, auto-determinar e autoregular o seu comportamento. Ele é capaz de refletir e analisar criticamente sobre uma experiência e determinar se esse comportamento irá ou não ocorrer em uma situação particular (Bandura,1971).


Outra teoria que dão suporte as estratégias de sensibilização é o  modelo de crenças em saúde. Este modelo está baseado no  conceito de que as pessoas percebem que são vulneráveis e suscetíveis em sua saúde e reconhecem que alguns comportamentos podem piorar ou  diminuir  os riscos às doenças e esse pode ser um motivador para a adoção de comportamentos saudáveis (Hochbaum, G., 1979).


Finalmente, a teoria de estágios de mudança de comportamento do  modelo transteórico desenvolvido por Prochaska oferece uma importante contribuição para que se identifique o estágio de mudança de comportamento em que o indivíduo se encontra para decidir sobre a melhor forma de abordagem para aquele estágio. Chapman, 2002, desenvolve algumas sugestões para que as estratégias de sensibilização sejam efetivas. São elas:


Estratégia 1:  Mostrar-Discutir- Aplicar

É a de mostrar a questão que será trabalhada da forma que a pessoa possa  compreender assimilar discutindo de forma profunda as várias facetas da informação e depois procurar que o indivíduo faça a aplicação do conceito trabalhado para que ele seja adaptado as circunstâncias específicas da pessoa. Assim a informação será apreendida mais  rápida e

profundamente. Além disso, o modelo de mostrar-discutir- aplicar é a mais  envolvente da formas de aprendizagem.


Estratégia 2: Exposição repetida

Outra estratégia poderosa que implica em repetir a informação. Pesquisas demonstram que são necessárias pelo menos cinco a dez contatos com a mesma informação para que esta possa ser incorporada como um novo conceito e que este fique internalizado (Wycoff, 1981).


Estratégia 3: Aprendizagem experiencial

Essa estratégia envolve levar o indivíduo para uma situação de uma aprendizagem experiência (Davidson, 1989). Esta parece ser uma das formas mais poderosas de transmissão de informações. No entanto, exige o cuidado, pois o indivíduo pode se recusar e rejeitar essa experiência.


Estratégia 4:  Pequenos aumento gradativo da informação

É a estratégia de sensibilização aonde, de tempos em tempos vai se oferecendo mais e mais informações para o indivíduo. O excesso de informação muitas vezes pode prejudicar que esta seja assimilada. Se a informação é passada de forma gradativa, é mais provável que ela seja retida e assimilada.


Estratégia 5: A abordagem da informação com valor agregado

É a estratégia de passar a informação de forma que o indivíduo possa perceber o benefício direto e imediato para ele. O valor da informação para é rápida e claramente percebido como relevante motivando para internalização da aprendizagem e utilização no futuro.


As estratégias e intervenções de sensibilização enfrentam enormes desafios principalmente quando são aplicadas no ambiente de trabalho onde os indivíduos podem ter diferentes níveis de informação, interesse e disponibilidade sobre os assuntos relacionados ao bem-estar e qualidade de vida. A diversidade entre as pessoas precisa ser compreendida e respeitada para que se tenha o cuidado de escolher o tipo de mensagem mais adequada, o veículo e modelo mais eficaz para aquela população e o momento apropriado para o envio da mensagem. A falta de conhecimento, os controles das informações, a forma de recepção da comunicação, a percepção seletiva dos profissionais, as crenças pessoais negativas, o tempo que a  comunicação é veiculada, o excesso de informação dos dias atuais, interferem no sucesso ou fracasso das estratégias de sensibilização.


McGuire, 1978, desenvolveu um interessante modelo teórico resume e fornece bases para as atividades de sensibilização e comunicação. Esse modelo,  adaptado por Flay em 1990 é apresentado a seguir.  O modelo conceitua os componentes e fatores que influenciam nas estratégias de sensibilização de várias formas.


Para uma sensibilização eficaz, decida o que é importante e bom para as pessoas e tente influenciá-las para que tomem uma decisão complexa de longo prazo para que os efeitos

benéficos da mudança aconteçam.  Apesar de serem estratégias fundamentais e que acompanham qualquer programa de bem-estar e qualidade de vida, é óbvio os limites

inerentes das intervenções  de sensibilização. Deve-se lembrar que elas não dispensam e devem  sempre  vir acompanhadas de atividades baseadas em técnicas motivacionais e de

mudança de comportamento para que promova uma mudança que traga impacto na saúde e bem-estar das pessoas.


A seguir, alguns exemplos de intervenções de sensibilização e de comunicação usadas em programas de bem-estar e qualidade de vida.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BANDURA, A. (1971). Social Learning Theory. Morristown, NJ: General Learning Press.

CHAPMAN, L. (2002). Awareness Strategies. In O’Donnell, M.P. (Ed), Health Promotion in The Workplace, (3rded.).(pp. 166-181). Albany, NY. Delmar Thomson Learning.

DAVIDSON, C. (1989). Employee Benefits Communication. Employee Benefits Basics (Fourth Quarter). Brookfield, WI: International Foudation of Employee Benefit Plans.

HOCHBAUM,G. ( 1979) An Alternative Aproach to Health Education. Health Values, 3 (4), 197-201.

MCGUIRE, W. (1978) An Information Processing Model Of Advertising Effectiveness. In H.L.Davis & A.J.Silk (Eds), Behavioal and Management Science in Marketing. New York: John

Wiley & Sons.

WYCOFF, E. (1981). Canons of Communication. Personnel Journal, 208-12.

março/2012


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